sexta-feira, 31 de março de 2017

Entrevista a Rita Vieira


Entrevista realizada pela Comissão Feminina da FMP

Rita Vieira, de 22 anos e piloto de motas profissional, dá-nos a conhecer um pouco mais da sua história nas duas rodas.

FMP: Desde quando a paixão pelas duas rodas?
RV: A paixão pelas duas rodas começou desde que me lembro de existir; desde muito cedo, o meu pai, incutiu-me a mim e ao meu irmão o gosto pelas motas.

FMP: E as corridas, como começou?
RV: Começei a competir aos 8 anos de idade, em 2003 na classe infantis no Campeonato Nacional de Trial. Depois começei o Nacional de Enduro em 2014, e fiz o mundial de Bajas em 2014 também.

FMP: Que mota tinhas? E que mota tens agora?
RV: Tinha uma AJP 240 e AJP 250. Agora corro com uma Beta X trainer 300 2t.

FMP: Fala-nos de algumas experiências que tiveste (boas ou más) e o que aprendeste.
RV: Tive muitos momentos marcantes, e várias lições também. Acabar o XL Lagares numa equipa com o meu irmão foi espectacular e inesquecível. Ele ajudou-me bastante e "gritou" muito comigo para me levantar do chão (já não podia comigo) hehe. A maior lição que a vida me deu foi nunca desistir, nunca baixar os braços e lutar até ao fim.
Em 2014, numa altura difícil em que tentava reunir apoios para realizar o campeonato nacional de Enduro na integra com a AJP, decidi desenhar e confeccionar t-shirts para vender através do Facebook e com um cartaz que colocava em todas as provas, revertendo todo o dinheiro para as despesas do campeonato. Foi assim que conheci uma pessoa fantástica, Diogo Graça Moura, que depois de me comprar uma t-shirt, me patrocinou e me possibilitou também fazer o Mundial de Bajas (sem quase tempo para preparação) e claro que aceitei o desafio. Foi uma competição muito dura, acordar cedo, muito pó, muito calor, mas eu queria provar que conseguia e ver o apoio da minha família e de todos ao longo do percurso fazia-me ganhar forças e cheguei ao fim. Vê-los todos de braços abertos a gritar e aplaudir a minha chegada, vieram-me as lágrimas aos olhos, de felicidade obviamente.
Se já era uma pessoa que sorria bastante, desde ali começei a sorrir ainda mais, para a vida e para as pessoas que me rodeiam. O meu sucesso de hoje devo-o em grande parte a este grandioso ser humano, o Diogo.

FMP: Falando de sucessos, qual foi o maior até hoje?
RV: Na minha opinião foi mesmo o mundial de Bajas em 2014, pois não tinha quase experiência nenhuma em Todo o Terreno e embarquei numa grande aventura, que começou logo pela Baja de Aragon com 1000km pela frente, felizmente acabou por correr da melhor forma e tornei-me Campeã do Mundo Feminina e Junior.

FMP: Conselhos para alguém que tenha muita vontade, mas não saiba onde começar...
RV: É preciso nunca desistir! No inicio é difícil, custa muito, parece tudo muito difícil e que nunca vamos ser capazes, mas a verdade é que o treino e a experiência acabam por falar mais alto e os resultados começam a aparecer. Falo por experiência própria, no inicio penalizava bastante em todas as provas, o suficiente para ser desclassificada, mas isso não me importava muito, eu só queria era andar de mota, e aprender. 
Em relação a apoios, é procurar em todo o lado, com os amigos, pequenas empresas, à mercearia da esquina, ao cafe do Zé ou à loja da Maria. Ter uma boa imagem, ser simpática, levar um portefólio engraçado e não pedir valores exagerados, apenas o necessário para a época.

FMP: Quais os planos para esta época e o futuro?
RV: Os meus objectivos para esta época é vencer o Campeonato Nacional de Enduro feminino e fazer um bom resultado no Europeu de Enduro Feminino, aprender e evoluir muito! 
Para o futuro, acima de tudo conseguir viver deste desporto, conseguir tirar rendimentos dedicando-me apenas ao desporto motorizado (se os outros atletas de outras modalidades podem porque é que eu como atleta não tenho esse direito?!) e já agora entrar para uma equipa oficial.

FMP Comissão Feminina

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